sábado, 16 de outubro de 2010

O dano das palavras mal colocadas, na educação e na personalidade de uma pessoa.

Telma M.
Qual a importância do incentivo, da crítica construtiva e destrutiva? A aprendizagem e a psicologia educacional no crescimento pessoal.
A importância do estímulo e do elogio para quem está começando uma nova atividade ou para quem está aprendendo uma coisa nova é muito grande.
Aprender uma nova atividade exige muito empenho do aprendiz e também de quem está ensinando.
Vou falar sobre artesanato, mas o que vou dizer se aplica a quase todas as áreas do conhecimento, pois vou falar de gente, seres humanos, sentimentos e relacionamentos sociais.
Para quem está começando a aprender alguma coisa nova, é muito importante receber elogios.

Um elogio, por pequeno que seja, estimula a pessoa a seguir em frente. Se a pessoa for insegura, isso é ainda mais verdadeiro.
O contrário também é verdade, uma crítica feita num momento errado pode destruir o futuro de uma pessoa. Quem é seguro de si, não sente os efeitos devastadores da crítica negativa feita em momento errado, mas ainda assim é ruim.
Dizer a uma pessoa insegura que seu trabalho de crochê está ruim, ou que está uma porcaria, é como espancar uma criança indefesa.
Para mim a violência é idêntica, é violência moral, faz mal do mesmo jeito, só que não deixa marcas físicas, embora as marcas invisíveis sejam até mais dolorosas, permanentes e desastrosas.
A pessoa pode desistir de um futuro que bem poderia ser promissor por conta de uma crítica destruidora.

Não estou dizendo que devemos dizer que está linda uma obra visivelmente feia, mas é preciso levar em consideração a relatividade da beleza e muito mais, a capacidade do indivíduo que está produzindo a obra.
Dizer uma frase como "Parabéns, você está melhorando dia-a-dia" pode ser estimulante e construtivo, mesmo que você sinta que falta muito para ficar bom.
Tenho uma aluna que quer muito aprender a fazer crochê, mas sente uma dificuldade espantosa.
No início eu estranhava muito o fato de ela não conseguir sequer segurar a agulha, quanto mais segurar a linha e executar os movimentos que para mim são tão simples.

É como andar, piscar, respirar. A gente não precisa pensar para dar um passo, nem precisa raciocinar para respirar e ninguém terá que estudar durante horas apenas para piscar. Essas tarefas são feitas automaticamente. Fazer crochê é assim para mim, eu realizo os movimentos com a agulha sem pensar, são movimentos automáticos, mas para minha aluna esses são movimentos que exigem um esforço quase sobrenatural.
Eu não sou especialista em comportamento humano, não sou psiquiatra nem psicóloga, mas dá para perceber que há alguma coisa estranha com ela.
O nome dela é outro, mas vou chamá-la de Raquel, porque esse é um belo nome.

Raquel é uma jovem de vinte e poucos anos. Ela me contou que quando era menina sua mãe tentou ensiná-la a fazer crochê, junto com suas irmãs, mas embora as irmãs tenham aprendido rápido, ela não conseguiu. A mãe, provavelmente muito atarefada para lhe dar atenção ou impaciente demais para dedicar-se à filha, tomou o caminho mais curto e disse apenas "Você é burra, não consegue aprender nada".
Isso exerceu um efeito destruidor sobre a pequena Raquel. Eu comparo esse efeito a um terremoto de grau máximo. Ela acreditou no que a mãe lhe disse como é natural numa criança.
Por puro acaso Raquel foi parar na minha sala de aula de artesanato e disse que gostaria de aprender a fazer crochê. Eu resolvi abraçar a tarefa de ensiná-la, leve o tempo que levar. Eu não tenho pressa, tenho apenas vontade, ela também não tem pressa, tem apenas vontade, então estamos conectadas.

Há um mês nós começamos as aulas. Ela já conseguiu aprender a fazer correntinha.
No dia em que ela conseguiu executar os primeiros dez centímetros (cheios de falhas), eu fiz um intenso elogio e lhe disse que estava muito bom. "Raquel, olha o que você conseguiu fazer! Parabéns, o trabalho ficou muito bom. Agora treine bastante, pois na próxima semana eu vou ensiná-la a fazer ponto baixo".
Ela literalmente chorou de emoção quando fez aqueles dez centímetros de correntinha!

Eu não sabia que algo tão insignificante para mim pudesse representar tanto para alguém. Confesso que também percebi algumas lágrimas escapando dos meus olhos.
A vida é assim mesmo. A gente aprende com coisas que nem de longe se apresentam como grandes lições.
No início parecem bobagens, mas se você dedicar algum tempo analisando, vai ver que é uma lição de vida. E das boas!!!

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Um comentário:

  1. Geralmente é mais fácil criticar um erro do que elogiar um acerto.
    Quando essa regra é aplicada à adultos ainda é mais atenuada do que quando aplicada à crianças, talvez seja essa a razão de crescermos sempre exigindo acertos e nos esquecendo de elogiar.
    Excelente post,

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