quarta-feira, 17 de setembro de 2014

No Mundo dos Bordados Manuais. Evolução e História.

O que é o bordado, como surgiu e como se comportou, no tempo, a arte de bordar. Veja resumidamente a evolução histórica dos bordados, desde os seus primórdios até os nossos dias.

História e Evolução dos Bordados no decorrer dos tempos.
by Roberto M.
Bordado é uma forma de criar desenhos e figuras ornamentais em um tecido, utilizando para este fim diversos tipos de ferramentas como agulhas, fios de algodão, de seda, de lã, de linho, de metal, de maneira que os fios utilizados formem o desenho desejado. É uma maneira de fazer artes manuais.
Apesar de, hoje em dia, existir o bordado executado à máquina, não é sobre ele que vou falar. Vou comentar somente sobre o bordado feito à mão.

Como arte que é, o bordado é capaz, até, de caracterizar povos e regiões nas mais diferentes épocas da civilização. Através dos tipos de bordados descobrem-se traços característicos regionais dos habitantes e aspectos inerentes à cultura e história da população.

Na Antiguidade, os romanos descreviam o bordado como a “pintura de uma agulha”, mas foram os babilônicos que batizaram esta técnica.
Tudo leva a crer, que já nos seus primórdios, os bordados eram executados com todos os pontos que são conhecidos hoje em dia.

Os mais antigos exemplares, que se conservam até hoje, datam dos séculos V e IV antes de Cristo e, a perfeição com que foram executados nos leva a imaginar que, já nessa época, haviam sofrido uma longa evolução.
Especula-se, entretanto, que um dos primeiros pontos a ser utilizado foi o ponto em cruz (ou ponto de cruz, como dizem alguns).

Registros históricos do bordado e do ponto cruz nos remetem à pré-história. No tempo em que os homens moravam em cavernas, o ponto cruz servia para costurar as vestimentas, feitas de pele de animal. Eles usavam agulha de osso e, no lugar de linhas, tripas de animais ou fibras vegetais. Fragmentos de linho, retirados de túmulos egípcios em escavações arqueológicas datadas de 5000 a.C., revelaram que o ponto cruz era usado para cerzir peças de tecido.

Na Idade Média os bordados eram feitos, sobretudo, nos conventos. Somente com o início da Reforma Religiosa é que o bordado passou a ser visto como “ocupação de tempos livres” pelas damas da burguesia e pelas camponesas.
Nessa época, assim como hoje, o bordado não era uma atividade essencial para a sobrevivência, mas sim, uma expressão de prazer, o prazer de saber, o prazer de criar.
Os bordados dos conventos, no início da Idade Média, eram, sobretudo, executados em branco sobre linho. Havia uma grande diversidade de pontos que eram habilmente dispostos para dar vida aos motivos.

Já na Renascença, através dos bordados representando cenas coloridas, eram as cores que tinham por missão dar vida aos desenhos. Os bordados limitavam-se a apresentar um ou dois tipos de pontos diferentes, cabendo ao ponto de brocado o papel principal. As áreas eram cobertas com pontos atravessados de orla a orla, feitos com lã grossa ou pouco torcida. Os pontinhos de fixação, com que se prendiam, a intervalos regulares, os fios de lã atravessados, eram feitos com fio de seda ou de linho, utilizando-se por vezes, também fios dourados ou prateados.

Nos séculos XVII e XVIII, prosperaram os bordados a branco mais finos (que se tornaram cada vez mais fininhos, começando a imitar as verdadeiras rendas) e, também, os bordados a ponto de cruz e a ponto Gobellin, totalmente a serviço da decoração de interiores e da ornamentação de tapeçarias.
No século XIX o bordado teve uma existência burguesa e recatada, passando no século XX a trilhar novos caminhos com o início do estilo Arte Nova (Art Nouveau).

Desde então, tem-se notado, em muitos círculos, a preocupação e o interesse em restituir ao bordado o seu antigo prestígio. Os motivos ganharam novas inspirações e muita vitalidade, levando os trabalhos às possibilidades de enriquecer a decoração, dar ares à criatividade e também valorizar a habilidade manual.
No próximo artigo dessa série "No Mundo dos Bordados Manuais", falarei sobre "Os acessórios necessários para bordar à mão." Acompanhem.
Bibliografia: Curso de Bordados Burda (Stickerei Kurse Burda) – K 605 – Editora Verlag Aenne Burda, Offenburg - 1983

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