quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A história do tricô. Como surgiu a arte de tricotar.

Sabe-se que, efetivamente, o tricô é uma prática milenar. Entretanto, são poucas as evidências sobre quando, onde e como ele surgiu. Mas, algumas referências antigas e alguns achados arqueológicos permitem fazer ilações sobre a história e a evolução da arte de tricotar desde seus primórdios.

Foto de casaquinhos de lã feitos em tricô por Tear de Retalhos enfatizando a história do tricô.
by Roberto M.
Acredita-se que a popularização do tricô ocorreu a partir da Idade Média. Na Idade média, uma revolucionária técnica de tecer estava agitando toda a Europa. Esta nova técnica fazia com que a produção de têxteis coloridos e luxuosos se tornassem muito mais fáceis. Os europeus obtiveram essa técnica dos países islâmicos do Mediterrâneo, juntamente com várias outras coisas de valor cultural elevado, tais como alquimia, bordado, literatura grega e o conceito do zero.

Esta nova tecnologia revolucionária, nada mais era do que a arte de tricotar: o tricô.
O tricô era fácil e rápido de aprender. Ao contrário de outros métodos de tecer, existentes à época, não exigia equipamentos caros e complicados. Com alguns palitos metálicos, de madeira ou de osso e com alguns fios de linha coloridos, era possível criar quaisquer peças a partir de desenhos elaborados.

AS MAIS LONGÍNQUAS CITAÇÕES

Uma das mais antigas referências ao tricô que se tem notícia é encontrada na obra “Odisseia” de “Homero”, provavelmente datada de finais do século VIII a.C. onde é apresentada a personagem “Penélope” que desgostosa pelo não regresso de seu marido “Ulisses” da guerra de Troia, passa o dia tricotando uma peça que à noite era desfeita, adiando indefinidamente a ordem de seu pai de se casar com um novo pretendente, casamento esse que se daria após o término do trabalho.

A arqueologia também ajudou a recuar no tempo a prática da arte de tricotar. Os exemplares mais antigos que se conhecem datam de 1000 a.C. e trata-se de meias, descobertas no Egito com desenhos considerados bastante complexos, o que leva os arqueólogos a acreditarem que a técnica é extremamente antiga, pois para chegar a tal nível de complexidade seriam necessários muitos anos de tentativas menos perfeitas.

Entretanto, essas antiquíssimas citações podem não se referir ao verdadeiro tricô que hoje conhecemos. Podem, isso sim, relatar casos das técnicas de tecer que inspiraram o surgimento da técnica atual de tricotar: com duas agulhas e fios contínuos.

A HISTÓRIA DO TRICÔ

O tricô já surgiu como uma daquelas artes intemporais, que ficariam para sempre.
Na verdade, parece ter sido inventado em algum momento no final do primeiro milênio da era cristã. Talvez já no século oitavo. As peças mais antigas que ainda sobrevivem (todas de países islâmicos) são datadas, pelo seu estilo de decoração, dos séculos nove, dez e onze. Mesmo essas primeiras peças já eram dotadas de intrincados desenhos multicoloridos. A maior parte desse material foi encontrado em sepulturas e montes de lixo no Egito e em outros locais muito secos, onde os têxteis eram mais propensos a se preservar.

Essas primeiras peças incluem um par de luvas cerimoniais de bispos (datadas em torno de 1245) e duas coberturas de almofadas. Todas finamente tricotadas em seda, vieram dos túmulos reais do Mosteiro de Las Huelgas, perto de Burgos. Uma das almofadas carrega uma inscrição islâmica simples (a repetição da palavra “Baraka”, que quer dizer “bênção”) e pode ter sido feita por um artesão islamita. Outro artesão assinou seu nome, “Husain”, em uma almofada de estilo surpreendentemente similar vindo do mesmo conjunto de túmulos.

Falar do início da história do tricô é meio complicado pois, por um longo tempo, existiu uma confusão entre o tricô que conhecemos hoje com um outro tipo de artesanato têxtil, o nalbinding.
O Nalbinding apareceu há muito tempo e criava tecidos muito semelhantes ao tricô. O processo de tecimento caracterizava-se por pedaços de fios elásticos entrelaçados um ponto por vez. Nalbinding era uma série de “nós” entrelaçados, feitos com uma agulha de costura e com pedaços de fios cortados em comprimentos padronizados. Este processo serviu de inspiração para o processo manual do tricô.

Ilustração mostrando a técnica de tecer chamada naldinbing, que inspirou a técnica de tricotar.

A principal diferença estrutural entre o antigo nalbinding e o atual tricô era que no nalbinding, a extremidade do fio era passado através de cada ponto. O Tricô, por outro lado, é construído a partir de um fio contínuo, e um laço,em vez de um nó, é puxado através de cada ponto.
Pode ser difícil, às vezes, dizer que a técnica foi usada, embora haja sinais indicadores quando se sabe como e onde olhar. Portanto, os arqueólogos, que não são historiadores têxteis, não têm mesmo a obrigação de saber que o nalbinding existiu. Muitas peças têxteis feitas através do nalbinding pelos romanos e até mesmo dos tempos egípcios foram confundidas com “tricô” em relatórios arqueológicos (ou pior ainda, com crochê, que só foi inventado no século 19).

A teoria predominante sobre a origem do tricô é que, provavelmente, evoluiu a partir do nalbinding, quando alguém percebeu que, não puxando a extremidade do fio através de cada ciclo, um fio contínuo poderia ser utilizado para o trabalho inteiro.
Assim como no nalbinding, diz a teoria, as primeiras peças de tricô foram, provavelmente, trabalhadas em círculos para fazer formas cilíndricas ou cônicas, tais como meias ou chapéus.
Na verdade, muitas das peças remanescentes dos primórdios do tricô mostram uma torção ou uma incompatibilidade no padrão, provando que elas devem ter sido tricotadas em círculos, com a torção ocorrendo ao final de cada rodada.

Isto significa que o tricô em círculos é muito mais antigo do que o tricô com idas e voltas e duas agulhas, a forma descrita mais modernamente. Não se conhece exemplos claros de tricô com idas e vindas até perto de 1600, quando jaquetas com estampas elaboradas tricotadas com fios de seda e fios de ouro entraram na moda.
O tricô com carreiras que vão e que voltam é usado para criar peças planas, que são depois costuradas e emendadas para fazer um item acabado
Fontes: 1 - Rutt, Richard - A History of Hand Knitting - Loveland, CO: Interweave Press, 2003.
              2 - MEDIEVAL KNITTING – acessado em 25/08/2016

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2 comentários:

  1. Genial, Roberto. Os primórdios do Tricot são curiosos. E esse tal de tal de nalbinding, heim? Muito legal! Nelsina Ventura

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  2. A matéria sobre o tricô foi de grande utilidade.

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